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Conheça o Francese, novo restaurante francês de Elia Schramm em Ipanema
Por Alessandra Carneiro | Publicado em 24 de julho de 2025
Nos últimos anos, Elia Schramm percorreu as cozinhas italiana, grega, americana e asiática para, enfim, com a abertura do Francese, retornar às raízes que marcaram o início de sua trajetória: a cozinha clássica francesa. Elia construiu uma base técnica sólida, inspirada por mestres como Joël Robuchon, e rapidamente se destacou no cenário brasileiro.
À frente do restaurante Laguiole, no MAM Rio, conquistou importantes reconhecimentos, entre eles uma estrela no Guia Michelin em 2017, feito que consolidou seu nome como um dos chefs mais promissores de sua geração. Essa projeção abriu portas para novos projetos autorais e o conduziu, agora, à abertura do novo restaurante em Ipanema em que assina um retorno maduro e autoral à tradição que o formou.
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Apesar da alcunha de brasserie, o Francese (pronuncia-se Frantchese, do italiano) vai além da proposta tradicional. “Minha ideia inicial era algo mais simples, servir croque monsieur. Mas quando o restaurante ficou pronto, percebi que o menu pedia algo a mais. Mas o nome ficou”, diz Elia. Assinado pela arquiteta Marina Torquetti, com curadoria estética da sócia Adrienne Diniz, o ambiente combina referências clássicas a toques modernos, com humor, irreverência e um quê de romantismo. Inspirado no Musée de l'Orangerie, em Paris, o espaço convida o visitante a mergulhar em uma narrativa visual, como se cada objeto contasse parte de uma história. Com peças vintage, livros antigos, objetos de antiquário e o charme de um bistrô parisiense com alma carioca, o Francese traduz em sua decoração o mesmo que propõe no prato: personalidade, afeto e sofisticação sem afetação.

Com essa proposta, o menu traz pratos que mesclam receitas clássicas a toques autorais, fazendo referências a sabores conhecidos, sem abrir mão do paladar carioca. É o caso da Tarte du Jardin Burratina (R$ 62), uma massa filo crocante com ratatouille, inspirada em uma receita do "gênio do vegetais", o chef Alain Passard, que aqui ganha uma burrata fior di latte. “Para dar um toque mais comercial”, admite o chef. Ao lado de entradas como as ostras com ponzu, massago, gari e cebolete (R$ 36) e o carpaccio de vieiras e pupunha com salsa spice mango (R$ 85), o menu revela um lado mais leve da cozinha francesa. “Quero mostrar que a culinária francesa não precisa ser sempre gordurosa em excesso”.
Ainda entre as entradas, uma grata surpresa é a Terrine Lucullus (R$ 98), inspirada em um prato clássico do Norte da França, uma terrine de foie gras com língua bovina defumada em mil-folhas, acompanhada de saladinha de vagem francesa, framboesa e avelãs. “Quero fazer Ipanema comer língua”, brinca o chef. Vale se aventurar em novos sabores e pedir sem medo! Difícil é se arrepender. Outro destaque é a Ouef Ceasar (R$ 32), uma versão da ouef mayo com molho caeser, croutons e bacon crispy — a preferida do chef.

Nos pratos principais, a untuosidade amanteigada característica da culinária francesa aparece em criações como a que leva o nome do bistrô do chef Frédéric Anton, o Poisson Ferme du Pré (R$ 82), um filé de peixe glaceado ao beurre blanc, com alcaparras, limão, espinafre sauté e purê de batata. Outro destaque é o Carbonade Flamande (R$ 68), carne cozida lentamente na cerveja preta e vinho tinto, com mirepoix, bacon e cogumelos.
Por enquanto, os clientes ainda seguem caminhos mais clássicos. O campeão de pedidos? O bom e velho filé com fritas (R$ 108), servido com molho béarnaise ou poivre e acompanhado de batatas fritas cortadas fininhas e feitas na casa. “Saíram 180 desses nos cinco primeiros dias”, conta Elia.

E como dica boa é dica compartilhada: guarde espaço para a sobremesa. Sob o comando da chef pâtissière Julia Guimarães, parceira de Elia em outros casas, o menu traz destaques como os clássicos profiteroles (R$ 37), que aqui ganham um toque cheio de saudades. Nada de brigadeiro ou Nutella: a inspiração da calda de chocolate veio dos crepes do Chez Michou. Já a Pavlove Cake (R$ 38) remete a outro clássico carioca: a torta de morango da Chaika, recriada a pedido do chef.
O Francese fica em em um casarão na Rua Barão da Torre 472, Ipanema.