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Além do K-pop e Doramas: a onda coreana chegou à mesa
Por Taís Moraes | Publicado em 14 de junho de 2026
Depois do K-pop, dos doramas e dos produtos para a pele, a Coreia do Sul começa a despertar outro tipo de curiosidade entre os cariocas: a vontade de provar o que se come por lá.
Que a cultura coreana ganhou espaço no Rio com K-pop, doramas e skincare, muita gente já percebeu. O que começa a aparecer agora é outro efeito dessa curiosidade: a vontade de provar os pratos que antes pareciam distantes ou ficavam restritos às cenas das séries. Em uma cidade sem grande comunidade coreana e com poucos restaurantes dedicados à culinária do país, endereços como o Ryu, na Barra, ajudam a mostrar como esse interesse saiu das telas e chegou à mesa.
No Rio, as oportunidades para provar uma comida autêntica coreana ainda são poucas, já que a cidade não tem uma grande comunidade que veio do país, como aconteceu em São Paulo. Por aqui, a cena aparece em poucos endereços, espalhados pela cidade, e talvez por isso seja ainda mais curiosa: ela não nasceu de uma tradição local forte, com expatriados com saudades de casa, mas do interesse recente por uma cultura que muita gente conheceu pelas séries nos streamings e pela música.
De Seul para a Barra
É nesse mapa enxuto que entra o Ryu, na Barra da Tijuca. A casa fica no Blue Square, na Avenida das Américas, e é uma boa porta de entrada para quem quer provar comida coreana para além do imaginário dos doramas. À frente do restaurante está Clara Shin, brasileira de São Paulo, filha de pais coreanos.
Ela cresceu em São Paulo, fez o ensino médio e faculdade de fotografia em Nova York, morou na Coreia, se casou por lá e voltou ao Brasil com o marido e o filho coreanos. Em vez de seguir para São Paulo, onde a comunidade coreana é maior, a família escolheu o Rio. Foi assim que nasceu o Ryu -- que ganhou o nome do filho do casal -- aberto em 2019 e hoje um dos poucos restaurantes dedicados à culinária coreana "raiz" na cidade.

Clara sugeriu algumas entradas tradicionais e que são muito pedidas. O mul-mandu, uma espécie de dumpling coreano servido em caldo, chega delicado e reconfortante. O Korean Fried Chicken vem com aquela crosta crocante que faz barulho antes mesmo de virar assunto. Já o ban-ban chicken, feito com drumetes, aposta em uma combinação bem coreana: molho adocicado, pimenta, brilho e vontade de comer com a mão.

Também vale prestar atenção ao kimchi, um dos símbolos da cozinha coreana. Feito tradicionalmente com acelga fermentada, pimenta e temperos, ele tem acidez, ardência e personalidade. É acompanhamento, mas nunca coadjuvante. No Ryu, ele é feito em uma geladeira especial, para a acelga não murchar e não perder a crocância.

Nos principais, o bibimbap é um clássico para quem está chegando agora. Vem com arroz, legumes, proteína e molho, e ganha graça quando é misturado à mesa. O Kan Pun de camarão segue por outro caminho, com molho agridoce e picância na medida. Já o Gungjung Tokbokki é uma versão menos apimentada dos tradicionais palitinhos de massa de arroz coreanos, aqui são feitos com farinha de mandioca e servidos com carne, legumes e molho. È um prato originalmente servido à realeza e calcula-se que tenha mais de 400 anos.
Para Clara, o interesse pela comida veio na esteira dos doramas, do K-pop e das séries coreanas. Ela conta que muitos clientes chegam ao Ryu movidos pela curiosidade, alguns já com pratos vistos na tela em mente. A visita, porém, costuma ampliar o repertório: além do frango frito e da pimenta, aparecem os caldos, os fermentados, os grelhados, os pratos de arroz e a lógica de compartilhar a refeição.
A sócia Clara Shin conta que o interesse pela Coreia cresceu durante a pandemia, junto com os doramas, o K-pop, filmes como "O Parasita", que ganhou Oscar e a cultura pop em geral. E faz sentido. Muita gente chega à culinária coreana pela curiosidade, querendo provar aquilo que viu em cena. Mas sorte sozinha não segura casa cheia. O que sustenta o Ryu é a comida: saborosa, farta, bem apresentada e boa tanto para quem já conhece esse universo quanto para quem chegou agora, na curiosidade mesmo. O Ryu não aceita reservas e está sempre com filas para almoço e jantar aos fins de semana.
É aí que o Ryu se diferencia: a curiosidade pode vir dos doramas, mas o cardápio olha mais para a tradição do que para a tendência.
O refrigerante de mangosteen aparece em uma lata diferentona, quase souvenir de mercado asiático. De sobremesa, a Bola de Neve, que é um sorvete frito com coco ralado, e o Peixinho Dourado, o waffle coreano em forma de peixe com sorvete, reforça esse lado lúdico da experiência.

Poucos endereços, muita curiosidade
Fora dali, o mapa coreano do Rio é pequeno. No Centro, o Kim Pocha leva a comida coreana para um clima mais informal, perto da ideia de bar de rua. No Shopping Barra Point, a Hanguk House completa 10 anos e também aparece entre os poucos endereços dedicados à culinária do país. No Humaitá, o Dorama Food conversa mais diretamente com o imaginário das séries e cardápio simples. Já o Katz-Su, no Jardim Botânico, e o recém-aberto Côt Parrilla, no Leblon, não são restaurantes coreanos tradicionais, mas mostram outra camada desse movimento: a presença de ingredientes, técnicas e referências da Coreia em casas asiáticas ou de brasa com linguagem mais carioca.
Fora dali, o mapa coreano do Rio é curto e mais híbrido. No Centro, o Kim Pocha leva a comida coreana para um clima informal, próximo da ideia de bar de rua. Na Barra, a Hanguk House também aparece entre os poucos endereços dedicados à culinária do país. No Humaitá, o Dorama Food conversa mais diretamente com o imaginário das séries. Já o Katz-Su, no Jardim Botânico, e o Côt Parrilla, no Leblon, entram por outro caminho: não são restaurantes coreanos tradicionais, mas mostram como ingredientes e referências da Coreia começam a aparecer em cozinhas autorais. No Côt, essa fusão surge em pratos como arroz de kimchi, steak tartare coreano e no Côt à mesa, menu com banchan, kimchi, carnes na brasa e galbi.
A onda coreana à mesa no Rio ainda se espalha por poucos endereços, mas já reúne perfis diferentes: restaurantes dedicados à culinária do país, casas que conversam com o universo dos doramas e cozinhas autorais que incorporam ingredientes como kimchi e gochujang. Para quem começou pelo K-pop, pelas séries ou pela skincare, o roteiro agora pode seguir também pelo prato.
Ryu Restaurante
Blue Square — Av. das Américas, 12.600, Bloco 5, loja 104 — Barra da Tijuca
Tel.: (21) 3197-1666
Funcionamento: terça a sábado, das 12h às 22h; domingo, das 12h às 21h
Instagram: @ryurestaurante