Destaque, Sustentabilidade

Agenda 2030: Restauração – exigências à nova mentalidade

Por Alessandra Carneiro | Publicado em 16 de junho de 2020

Os dados sobre a quantidade de plástico que já existe nos oceanos chocaram alguns leitores. É preciso entender que existem consequências ambientais do modelo de consumo "normal". Particularmente, prefiro a palavra recorrente, pois a meu ver não ilustra normalidade, mas sim, excessos.

Não haverá atalhos para a sustentabilidade.

É preciso aceitar que o nosso modo de vida impõe consequências ao meio ambiente simplesmente porque, em linhas gerais, a cadeia de produção global desconsidera custos ambientais e sociais na formulação dos preços das ofertas. Resumo: não há almoço grátis. O que não pagamos na entrada, pagaremos, inexoravelmente, na saída.

Dentro do contexto de revisão de valores que a pandemia nos traz, fica em evidência que nossas prioridades devem se reorganizar, dentro do que, de fato, nos é essencial como indivíduo conectado ao coletivo. Essa percepção sugere que a nossa conta bancária pode não garantir uma vida saudável, ou pelo menos não diminui os riscos compartilhados de se viver em sociedade. Ou seja, sim, todos os outros importam. Não só o próximo, mas os diferentes e os que estão longe do nosso campo de visão.

Ailton Krenak, líder indígena, ambientalista e escritor do livro "Ideias para adiar o fim do mundo", opina que "o modo de funcionamento da humanidade entrou em crise" quando reflete qual significado daremos às dores que estamos vivenciando: "Se voltarmos à chamada 'normalidade', não valeram de nada as mortes de milhares de pessoas. Aí, sim, teremos provado de que a humanidade é uma mentira”.

Na minha opinião, Krenak, com sua ancestralidade indígena, expõe o quanto da nossa inteligência industrial foi eficiente, mas não suficiente para construir uma sociedade democrática, inclusiva e plural, no que signifique respeito às diferentes singularidades que possibilitam a beleza da diversidade.

Expoentes de todas as tendências afirmam que a tecnologia digital nos abriu para um novo mundo com um novo arranjo de demandas e novos códigos de consumo, que já questionavam a normalidade. A pandemia acelerou este processo e, não à toa, estamos expostos a tantos conflitos que a "normalidade" - normas estruturantes do comportamento de grupos - tratava de invisibilizar.

Albert Einstein acredita que "nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou". Tão longo precisamos decodificar o contexto presente para escolher um futuro possível à coletividade global.

A Década de Restauração de Ecossistemas 2021–2030 da ONU é um apelo global à ação urgente de todos os setores da sociedade no que envolve uma mudança de mentalidade para ajudar a planejar e executar esta iniciativa que foca nos objetivos:

  • Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos.
  • Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
  • Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.

É através da ODS 12 que podemos rever essas prioridades de consumo e tomarmos atitudes para contribuir com a Década da Restauração.

Nossa Agenda é a Agenda Carioca pelos objetivos da Agenda Global 2030.

Foto: Comfreak por Pixabay
Fotomontagem: @nucleoi

Claudia Girotti

Claudia Girotti é movida pela curiosidade, apaixonada pelo novo e a favor do ritmo da ação sustentável. É diretora de Marketing e Comunicação na Núcleo-i e busca sempre imprimir um olhar inovador sobre a vida. Para entrar em contato, mande um oi para [email protected].

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