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Entre selvas e paredes: livro revela o universo tropical da muralista Dominique Jardy
Por Alessandra Carneiro | Publicado em 5 de março de 2026
A pintora muralista francesa radicada no Rio de Janeiro Dominique Jardy ganha um retrato aprofundado de sua trajetória e de sua obra no livro-arte “Mata Adentro – Natureza e Arte”, com lançamento marcado para o dia 10 de março, das 16h às 21h, no ateliê da artista, em Laranjeiras . Com 216 páginas, a publicação reúne texto crítico da historiadora Lorelai Kury e fotografias de Jaime Acioli, revelando a força visual das pinturas que transformaram interiores em paisagens exuberantes.

A obra apresenta murais e pinturas realizados pela artista em hotéis, fazendas e residências em diferentes estados do país, incluindo Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Entre os espaços retratados estão a Casa Farm e a Residência Afonso Prata, em Ipanema, além da Residência Hallack, em Petrópolis; ambientes em que plantas tropicais, animais e paisagens imaginárias ganham protagonismo e parecem invadir os espaços arquitetônicos.
Nascida na França, próxima à cidade de Le Puy-en-Velay, Jardy vive no Rio desde 1985. Formada pela tradicional escola de pintura Van der Kelen, em Bruxelas, onde recebeu medalha de ouro, a artista construiu carreira internacional colaborando com decoradores e atendendo clientes ilustres como Rudolf Nureyev, Marie-Hélène de Rothschild, a princesa Fyrial da Jordania e o estilista Jun Ashida.

Seus trabalhos hoje podem ser vistos em residências, restaurantes, boutiques e hotéis de prestígio. Entre eles estão o Copacabana Palace, o Hotel das Cataratas, o Rio de Janeiro Marriott Hotel e o Hotel Solar do Imperio, além da embaixada do Brasil em Praga.
Segundo Lorelai Kury, a natureza é o grande eixo da obra de Jardy. Em suas pinturas, helicônias, bananeiras, bromélias e palmeiras se misturam a paisagens tropicais e animais que parecem atravessar os limites da tela. “As plantas e os animais são protagonistas. Eles interagem com os espaços interiores e com o observador, reivindicando seu lugar”, escreve a historiadora no livro.
A relação da artista com o Brasil começou em 1984, quando viajou por cidades históricas de Minas Gerais e pelo sul da Bahia, pintando cenas em guache. Encantada pela exuberância da natureza, decidiu se estabelecer definitivamente no país no ano seguinte. Inicialmente, seus murais mantinham referências europeias, como arabescos, padrões florais e efeitos de mármore — em sintonia com o gosto sofisticado da época.
A partir do fim dos anos 1980, no entanto, Jardy passou a incorporar gradualmente a vegetação e os animais tropicais às suas composições, muitas vezes utilizando pigmentos naturais e tintas à base d’água, seguindo a tradição italiana da pintura mural. O marco dessa virada foi a grande composição realizada em 1990 na Fazenda São Lourenço, em Três Rios, quando a natureza brasileira passou a ocupar definitivamente o centro de sua produção artística.
