Carnaval, Destaque
Fique por dentro dos desfiles do Grupo Especial do Rio de domingo
Por Alessandra Carneiro | Publicado em 15 de fevereiro de 2026
Domingo
22h – Acadêmicos de Niterói
Enredo: Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil
Carnavalesco: Tiago Martins
Intérprete: Emerson Dias
Mestre de Bateria: Branco
Rainha de Bateria: Vanessa Rangeli
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Emanuel Lima e Tainara Mathias
Fundada em 2018, a escola teve uma ascensão meteórica e desfila pela primeira vez na elite do Carnaval carioca. Para a estreia, escolheu um enredo polêmico em ano eleitoral: contar a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Goste-se dele ou não, é inegável que Lula é um dos políticos mais bem-sucedidos de seu tempo. O enredo narra a trajetória do petista a partir do olhar de sua mãe, Dona Lindu, e percorre a infância em Garanhuns, no agreste pernambucano, a migração para São Paulo, a vida operária e a ascensão como líder político. O samba, “narrado” por Dona Lindu, traz versos de impacto como “tem filho de pobre virando doutor, comida na mesa do trabalhador”. Entre os compositores está a sambista Teresa Cristina.
23h30 – Imperatriz Leopoldinense
Enredo: Camaleônico
Carnavalesco: Leandro Vieira
Intérprete: Pitty de Menezes
Mestre de Bateria: Lolo
Rainha de Bateria: Iza
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro
Após negar diversas vezes ser homenageado por uma escola de samba, Ney Matogrosso atendeu de pronto ao pedido do premiado carnavalesco Leandro Vieira, que, em um telefonema, resumiu: “Você não vai me negar esse sonho, não é?”. Como clama o grito de guerra da Imperatriz, o sonho virou realidade, e Ney será o tema de um dos desfiles mais aguardados deste Carnaval. Não espere uma apresentação cronológica ou óbvia. Assim como seu homenageado, Leandro gosta de desafiar o fácil. Entre os pedidos de Ney está a presença de corpos nus na Avenida. “O carnaval está ficando careta”, disse o artista em entrevista à Veja Rio. Como diz um trecho do samba, “o que confunde é o desbunde”. Prepare-se para se surpreender.
1h - Portela
Enredo: O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande
Carnavalesco: André Rodrigues
Intérprete: Zé Paulo Sierra
Mestre de Bateria: Vitinho
Rainha de Bateria: Bianca Monteiro
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Marlon Lamar e Squel Jorgea
A Portela chega na Avenida carregada no dendê para contar a história do Príncipe Custódio, figura histórica e espiritual de origem africana que teve papel central na difusão das tradições religiosas afro no Rio Grande do Sul. Nascido no Golfo da Guiné (atual Benin) e chegado ao Brasil no início do século XIX, Custódio Joaquim de Almeida ficou conhecido no sul do país como líder religioso, mediador político e curandeiro, uma referência da cultura afro-gaúcha e um dos pilares no desenvolvimento do Batuque, uma das principais expressões religiosas de matriz africana do Sul do Brasil. O enredo inédito rompe com estereótipos regionais ao destacar que, segundo dados do Censo 2022, o Rio Grande do Sul concentra o maior percentual proporcional de adeptos de tradições afro-brasileiras no país (3,2% em comparação a 1% do resto do país). Na narrativa da Portela, o desfile propõe um diálogo simbólico entre o Negrinho do Pastoreio e o orixá Bará, recobrando memórias de resistência, fé e ancestralidade em uma celebração que relembra como essa história foi construída sob o céu aberto dos pampas.
2h30 – Estação Primeira de Mangueira
Enredo: Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra
Carnavalesco: Sidnei França
Intérprete: Dowglas Diniz
Mestres de Bateria: Taranta Neto e Rodrigo Explosão
Rainha de Bateria: Evelyn Bastos
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Matheus Olivério e Cintya Santos
A Mangueira finca suas raízes no extremo Norte do país para exaltar as tradições afro-indígenas da Amazônia por meio de um de seus personagens mais simbólicos: Mestre Sacaca. Figura histórica do Amapá, ele se manifesta no imaginário popular como curandeiro, folião, marabaixeiro e defensor dos povos da floresta, um elo entre saberes tradicionais, espiritualidade e resistência cultural. Este é o segundo ano do carnavalesco Sidnei França na Verde e Rosa e também na Sapucaí. Vindo de São Paulo, ele é dono de cinco títulos no Carnaval do Anhembi e, no ano passado, fez uma estreia segura no Rio, recolocando a escola no desfile das campeãs.