20 anos

Patrimônio cultural

da cidade do

Rio de Janeiro

Arte & Cultura, Bem-Estar, Carioquices, Destaque, Programe-se, Programe-se na Home

Um passeio pela Trilha do Patrimônio, novidade no Jardim Botânico

Por Alessandra Carneiro | Publicado em 14 de junho de 2021

Mais uma novidade no Jardim Botânico: a instituição, que havia inaugurado este mês o Mirante do Cactário, lançou nesse fim de semana a Trilha do Patrimônio, que promete aos visitantes um passeio histórico pelos principais monumentos e por cinco sítios arqueológicos. Ao todo, são 11 paradas, todas agora sinalizadas com QR code e textos que trazem mais informações sobre o Brasil Império.

Nem todo mundo sabe, mas o Jardim Botânico tem várias trilhas educativas, mas todas, até então, focadas no meio ambiente. A nova Trilha do Patrimônio foi lançada dentro do calendário do 27º Congresso Mundial de Arquitetos (UIA-RIO 2021), e é a primeira com foco nos patrimônios arquitetônicos do local, trazendo um pouco mais da história de monumentos como o Chafariz das Musas, o busto de D. João e o portal da antiga Escola de Belas Artes.

O ponto de partida é o prédio mais antigo da Zona Sul do Rio, onde hoje funciona o Centro de Visitantes do Jardim Botânico, construído em 1576, ou seja, 232 anos antes da data de fundação do Jardim, em 1808. O último ponto da trilha é o Solar da Imperatriz, uma área pouco conhecida dos cariocas, localizada no Horto.

Vale lembrar que, atualmente, é preciso agendar as visitas no site oficial. Abaixo, confira o caminho completo a ser percorrido, e informações históricas cedidas pelo Jardim Botânico:

Ponto 1 - Sede do Engenho Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, atual Centro de Visitantes (sítio arqueológico: cemitério dos escravos) 

Construída em torno de 1576, foi sede do Engenho Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, um engenho de açúcar que abrangia parte da Zona Sul do Rio e do atual Parque Nacional da Tijuca. É um exemplo da arquitetura colonial portuguesa e uma das mais antigas edificações da cidade, sendo o prédio mais antigo da Zona Sul. Com a vinda da família real em 1808, o engenho foi desapropriado pelo príncipe regente D. João para a instalação da Real Fábrica de Pólvora, a fim de prover insumos para a defesa do império português. Após a desativação da fábrica em 1831, serviu para moradia de diretores e funcionários até 1985. Depois de obras de restauração e prospecção arqueológica, passou a abrigar, a partir de 1992, o Centro de Visitantes do Jardim Botânico.

Ponto 2 - D. João, jardim de aclimação e a palma mater

(Crédito: Alessandra Carneiro / Agenda Carioca)

Desapropriado o engenho, em 13 de junho de 1808, D. João mandou preparar, junto à residência do diretor da fábrica de pólvora, um jardim de aclimação. O local já se chamou Real Horto e lá foram cultivadas diversas espécies de plantas e também a palma mater, origem das palmeiras que formam a aleia das palmeiras imperiais do Jardim Botânico. Em 1972, um raio atingiu a palma mater e, no seu lugar, se encontra a palma filia, cultivada a partir da semente da primeira. O busto e o brasão de D. João, fundador do Jardim Botânico, obra do escultor Rodolfo Bernardelli, foram encomendados no centenário da instituição, em 1908, pelo então diretor João Barbosa Rodrigues.

Ponto 3 - Lago Frei Leandro

Crédito: Duda Tavares

Mais conhecido como o lago das vitórias-régias, um dos símbolos do Jardim Botânico se chama, oficialmente, lago Frei Leandro, em homenagem ao primeiro diretor botânico da instituição. As cascatas e lagos foram iniciados na sua gestão, que teve início em 1824, para criar ambientes para a flora aquática, permitir uma rede de distribuição de água, aumentar a umidade do arboreto e minimizar os impactos decorrentes das enchentes. O lago foi escavado por escravos e, com a terra retirada, foi construído um cômoro, a partir do qual se pode ter uma visão panorâmica do Jardim Botânico, com o Cristo Redentor ao fundo. No cômoro (pequena elevação, morrete) se encontram a Mesa do Imperador, local para refeições utilizado por D. Pedro I e D. Pedro II, e o busto do Frei Leandro do Sacramento.

Ponto 4 - Museu Sítio Arqueológico Casa dos Pilões (sítio arqueológico)

Crédito: Alessandra Carneiro / Agenda Carioca)

A Oficina do Moinho dos Pilões foi uma das unidades de produção da Real Fábrica de Pólvora, criada por D. João em 1808. Com o fechamento da Fábrica de Pólvora em 1831, a Casa dos Pilões teve diversos usos. Em 1941, o botânico João Geraldo Kuhlmann lá se instalou com seu laboratório, realizando pesquisas até seu falecimento em 1958, quando a casa foi transformada no Museu Botânico Kuhlmann, permanecendo no local até 1982. Em 1994, o chamado Museu Sítio Arqueológico Casa dos Pilões foi inaugurado.

Ponto 5 - Orquidário

O orquidário, construído em madeira em 1890, foi a primeira estufa do Jardim Botânico. Em torno de 1930, essa grande estufa, em formato octogonal, foi refeita com estrutura de ferro e vidro, seguindo as características das estufas inglesas da época. A estufa de vidro é lugar de exposição e de cultivo, onde podem ser apreciadas cerca de 830 orquídeas brasileiras, estrangeiras e híbridos. Atualmente, passa por mais uma reforma de recuperação, com a construção de um novo telhado.

Ponto 6 - Aqueduto da Levada

Crédito: Duda Tavares

São três arcos em estrutura de tijolo e pedra construídos em 1853, com o objetivo de disciplinar o curso das águas provenientes do Grotão, destinadas à irrigação e abastecimento dos chafarizes, lagos e cascatas. Até sua construção, a condução das águas era feita por uma calha de madeira, cuja origem remonta ao abastecimento do Engenho de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, do século 16, e, após 1808, ao movimento das rodas d'água da Fábrica de Pólvora.

Ponto 7 - Portal e Ruínas da Antiga Fábrica de Pólvora

jardim botânico portal de polvoras
(Crédito: Duda Tavares)

Após a compactação feita na Casa dos Pilões, a mistura era transportada para essa oficina, onde se realizava o processo final de fabrico da pólvora. Em 1831, a oficina foi destruída por uma grande explosão, tendo restado os muros construídos em alvenaria de pedra e tijolo e o grandioso portal, que hoje serve de entrada para o parque infantil e a área de piquenique.

Ponto 8 - Portal da antiga Academia de Belas Artes

jardim botânico portal escola de belas artes
Crédito: Alessandra Carneiro / Agenda Carioca

O portal, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), fazia parte da Escola Real de Belas Artes, criada por D. João. A edificação foi projetada por Grandjean de Montigny, arquiteto francês que veio para o Rio de Janeiro em 1816. Em 1908, a escola foi transferida para o prédio do atual Museu Nacional de Belas Artes, no Centro do Rio de Janeiro, e, em 1938, o antigo prédio, bastante deteriorado, foi demolido, mas seu portal foi salvo e transferido para o Jardim Botânico.

Ponto 9 - Chafariz das Musas

Jardim Botânico
Crédito: Alessandra Carneiro / Agenda Carioca)

O Chafariz das Musas, um dos ícones do Jardim Botânico, estava originalmente instalado no Largo da Lapa, no centro do Rio de Janeiro, porém nunca funcionou naquele local. Em 1895, foi trazido para o Jardim Botânico pelo então diretor Barbosa Rodrigues e instalado no arboreto. Confeccionado em Derby, na Inglaterra, o chafariz em ferro fundido faz referência à mitologia grega, com diversas alegorias como querubins, conchas, cabeças, peixes e golfinhos. Na parte superior, apresenta quatro musas gregas, deusas da ciência, literatura e das artes, cada uma carregando um objeto representativo: Calliope, a musa da poesia épica, carrega uma tábua de escrever; Clio, a musa da história, carrega um pergaminho; Erato, a musa da poesia lírica, carrega uma lira; e Melpomene, a musa da tragédia, carrega uma coroa de flores.

Ponto 10 - Portão principal

Quando foi criado em 1808, o Jardim Botânico era vedado ao público e tinha portões simples de madeira. Foi somente nos reinados de D. Pedro I e D. Pedro II (1822 a 1899), que os portões foram abertos para visitas guiadas. A partir de 1889, tornou-se um espaço público e a entrada ganhou imponência, recebendo pilares e um gradil de ferro, estrutura que logo seria substituída por outra em alvenaria. Posteriormente, torres foram construídas junto ao portão central, para melhorar a recepção aos visitantes.

Ponto 11 - Solar da Imperatriz

É um raro exemplar da arquitetura rural no Rio de Janeiro, construído entre os séculos 18 e 19 como sede da Fazenda do Macaco. Em 1829, teria sido presente de D. Pedro I para sua esposa, D. Maria Amélia, e desde então teve diversos usos. Do início dos anos 1970 até 1989, após seu tombamento como patrimônio nacional, abrigou parte da extinta Fundação Pró-Memória e cursos da Fundação Getúlio Vargas. No início do século 20, sofreu obras de restauração que devolveram parte de suas feições originais e possibilitaram o reconhecimento do local como sítio arqueológico. Depois, foi adaptado para sediar a Escola Nacional de Botânica Tropical, inaugurada em 2001, primeira escola do gênero na América Latina, que abriga atualmente cursos de extensão, mestrado e doutorado.

LEIA TAMBÉM:

90 anos do Cristo: símbolo carioca ganha programação festiva
5 programas cariocas para (re)descobrir a cidade

veja também

mantido por LinkTI